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13/05/2005 20:44
Convalesço lentamente, aos poucos vou me recuperando. Já consigo sentar na cama, apoiada por travesseiros, hoje de manhã dei alguns passos. Meus dias e noites são brancos, suavemente brancos e transcorrem em velocidade regular. Não sei o que dizer, mas já passaram as piores convulsões. Queria chamar por um nome bonito,chamar de amor. Soa bonito padecer de amor. Amor tão lírico, mas dele não se sofre. Amor é uma coisa boa, não é isso. Quis chamar de saudade, saudade tua? Saudade de ti, terceira pessoa do que eu escrevo sem leitor. Saudade que traz o conforto de seu objeto, merecedor de saudade e sempre a esperança do possível remédio. Queria chamar de amor ou saudade, fingir que é falta sua, até te procurei anteontem como uma mão que eu pudesse segurar, mão vacilante como a minha... Não te achei, e se pareceu tanto com uma das piores convulsões, que foi tão fácil explicar assim, saudade. Tenho medo e desconfio que tua presença não possa trazer algum tipo de cura ou saúde, desconfio... Me afasto, platonizo, segura na tua terna recusa. Queria estar ao menos sofrendo de amor, sofrimento doce quase prazer, queria que fossem só saudades de um bem passado. Tão simples... Saudade e seu objeto. Mas não tenho o conforto do objeto que falta, é só a falta. Não há objeto para a ausência, é a simples ausência. É a saudade de um si mesmo que nunca voltará a ser, não da coisa amada, mas pela perda resultante de um prolongado sofrimento.
enviada por paulelena
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