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25/04/2005 23:45
Carta de amor reutilizável
Meu amor é sobrenatural. Como se amasse um morto. Grito para dentro, e grito muito. Para ver se me ouves. Precisar não preciso mas meu corpo te pede em gritos roucos. Quero ter de novo o que tive. Porque nunca um amor foi tão verdadeiro. Nunca alguém amou tanto o que eu era, e me viu por dentro através da pele, nunca ninguém tinha olhado assim na minha alma. Nunca ninguém tinha me tocado tão desprotegida. Nem com tanta cumplicidade. Nunca ninguém me foi tanto assim, e tanto eu te era. Que eu queria ter perpetuado o instante, e me dói pensar que talvez nossa fusão fosse grande demais para nós mesmos.
Um dia vou me resolver de verdade contigo. Enquanto isso, chamo, grito, para que dentro de ti, tu me ouças. Como um chamado à esquerda no peito, tremendo ou palpitando com meu nome. Algumas coisas simplesmente são. Outras, ficam ardendo.
E talvez eu negue até o último instante a resposta clara diante de mim. Talvez eu recuse tudo. E grito seu nome aqui dentro. Porque quero ouvir da tua boca, e ver da última vez seus olhos verdes perdidos de mim para sempre. Verde cor de esperança, então espero que a cor verde de novo me venha. Então espero.
Outro virá e será melhor que você, eu me vingo assim, e atiro em você sua rejeição. Sem nem saber que estradas tortas nos separam, me pergunto como estarás vivendo.
Mas esse desejo de ser amada, de ser desejada não é conflito. É normal de ser humano, não é?
E reviver pra te ter de novo, e lembrar, e querer, é tão provável...
Porque tua beleza é única e imprecisa, por que você ser tão próximo. Você me veio ser aqui perto quase me sendo. E me confundiu e me marcou com ferro quente enquanto em você foi de raspão mas já desapareceu resquício. Quem sou eu para saber disso? Preciso olhar nos teus olhos e perscrutar lembrança minha. Você tem? Diz pra mim, você tem aí dentro marca minha? Como esquecer assim tal força. Foi em mim a marca. Pra ti nem arranhar arranhou direito.
Eu e meus gestos vestidos de bondade. E eu é que preciso de ti. Eu é que nunca mais encontrei a tua cor de pele, tua cor de olho, tua textura própria de coisa pura. És próximo, és quase eu, talvez por isso te ame.
Gritar amor não leva a nada, mas nos vão de vida eu escorrego para dentro de ti. Nos domingos a noite eu resvalo para ti.
Mas não te assustes, continuo vivendo. Vai ser vaso de barro que carrego. Um dia deixo à beira do caminho. Um dia tudo encontra seu lugar vago, e mesmo em mim vai ter lugar para te guardar. Enquanto isso eu te carrego. E mesmo que às vezes grite para dentro, ainda vivo e sigo vivendo. Quem sabe teu amor é que me nutre, por enquanto. Não sei o que fazer contigo mas tenho a coragem. E a noção do mais importante ser seguir vivendo. Até que a ordem das coisas no mundo ou a vida, ou até mesmo eu. Uma dessas entidades dê destino adequado
à tua presença
à tua lembrança
a teu amado ser.
enviada por paulelena
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