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13/03/2005 10:14
É uma solidão tal que ninguém me ouve. E ninguém me toca.
Nenhuma estrela no céu. Nem na terra. Sou de madrugada como um grito para dentro, que me fere por dentro os ouvidos. Sou um grito mudo a rasgar a garganta. Sem som, sem palavra. Sou um nada. E sou coisa demais pra caber em mim de madrugada e o mundo dorme em silênciso de morte.
E eu pensar que talvez te acorde, você inquieto e insone dizendo meu nome. Minha força de bruxa não vale nada.
Meu silêncio é música que não se ouve, nota atrás de nota. Minha música é tal organização do silêncio como uma tela em tons de branco.
E eu espero
Pacientemente espero quem me veja e perceba a diferença escandalosamente sutil entre mim e uma tela em branco. Espero aquele que saiba distiguir o branco da tinta do branco da tela, espero aquele com ouvidos para distingüir meus murmúrios mudos da mudez do silêncio.
Espero aquele que saiba me achar no meio do nada no pouco que sou, no meu jeito de ser com delicadeza como se fosse na ponta dos pés. Mas sou aquela que esbarra derrubando os pratos, que queria ser transparente e acabou diamante.
Sou aquela que espera na janela, que ao falar baixo sai gritando.
Que ao amar arranca pedaço
Que ao tocar, sangra.
enviada por paulelena
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